24
Maio

 Do lado de fora do armário não sufoca.

No dia 06/05/2012 foi um dia muito especial pra mim, foi comemorado o dia das mães na ong Projeto Purpurina, que eu faço parte a quase 3 anos. E pela primeira vez consegui levar parte da minha família para essa festa. 

Nesse dia pais e filhos contam para as pessoas presente como foi a experiencia e a superação que tiveram quando souberam da sexualidade do filho ou filha. Como muitas pessoas ali presentes acompanham esse blog já sabem de cor o meu lado da história que você pode ler clicando aqui.

     Mãe, Léo e eu.

Me segurei muito nesse dia pois além de ter o depoimento emocionado das pessoas que mais amo no mundo, tive a surpresa de naquele dia estar presente a Regina uma grande amigona, que me ajudou muito no começo da minha aceitação. Essa mulher foi muito especial pra mim, ela faz parte do GPH e apareceu tbm nesse blog em alguns posts. Quando ainda não entendia muita coisa que passava comigo e nem de que forma contar para os meus pais o que estava acontecendo comigo, ela com a experiencia que teve dentro de casa com o filho dela, pode me orientar.

Regina foi um grande anjo na minha vida, ela a pedido da Edith Modesto, foi minha conselheira, a escolha dessa grande mulher não foi por acaso, como todos sabiam que fazia parte de uma igreja evangélica, a Edith escolheu a dedo qual das mães do GPH teria mais cuidado em me aconselhar, a Regina é da mesma igreja que eu frequentei e que minha mãe frequenta até hoje. Foi muito importante as conversas que ela também teve com a minha mãe. Só um detalhe que ainda não mencionei é que nunca havíamos nos vistos pessoalmente, tentamos por diversas vezes mas nesses três anos, nunca conseguimos. Foi muito especial conhece-la e saber o quanto eu consegui evoluir desde então.

  eu

Sim é isso ae, o único conselho que tenho para esse post é que olhando para trás não me arrependo do modo que conduzi minha vida, as escolhas que fiz - não da sexualidade porque ela não é uma escolha - mas de que forma tocar as coisas para que elas se resolvessem da melhor forma possível.

Se algumas pessoas que tem acesso a esse blog percebessem que o que te faz especial não é a sua sexualidade e sim seu caráter, suas atitudes, sua honestidade, respeito e todas as outras boas qualidades que um Ser Humano deve e pode ter. Hoje estou tão distantes das coisas que me amedrontavam que não importa quem ou o que falem a respeito da minha condição sexual, já não tem força na minha vida.

A lição maior que consigo disso tudo é essa:

O amor vence! 

Vence o preconceito, o medo, a ignorância, a religião, a homofobia e a violência.



Preste atenção na letra dessa música…

13
dez.

Dentro e fora da igreja (sem perder a fé) pt 02 

Eu sempre achei que seria possível e realmente é possível conciliar esses dois mundos se vc estiver afim de se abster de alguns pensamentos e atitudes dos dois lados, seja na igreja ou fora dela. 

Meus pais haviam passado meu numero de celular p algumas pessoas da igreja pensando que assim eles conseguiriam que eu voltasse a frequentar a minha comum congregação - ainda mais depois que comecei a ir na igreja “Deus é bom”, que só gostei pela cultura afro que possui, que nada tem a ver com a aceitação da homossexualidade mas, com o discurso de não ter preconceito e discriminação seja por cor, sexualidade, raça, posição social… Gostei de conhecer essa outra visão pq eu podia ir la de black power, de tranças, de dread… e não era visto com maus olhos como na ccb - A igreja que sempre pregou contra a valorização da aparência se vê presa a padrões tão “europeus” que o que foge do terno e gravata, do cabelo grande e liso para as mulheres e/ou cortado baixinho para os homens, é visto como “errado” e “fora dos padrões”.

Eu comecei a filosofar comigo mesmo que viver num ambiente que não me aceita 100% como sou não e nunca me fará me sentir 100% bem e se a realização pessoal era o meu foco então deveria buscar ela em todos os ambientes que eu fazia parte - uma vez que em casa sou aceito, no meu serviço e com amigos tbm, não existe lógica eu frequentar um lugar onde tenha que me transformar e me moldar ao gosto alheio.

Aniversário de 24 anos, um divisor de águas…

 

Quando pensei em fazer minha festa de aniversário eu sabia que seria um marco na minha vida, não era fazer apenas 24 anos mas, um recomeço devido a tantas conquistas e perdas que tive ao londo a minha vida e em especial esse último ano. Enviei convite para todas as pessoas que eu achava que de alguma forma fizeram ou permitiram que fizesse parte da vida delas e foram importantes p mim. 

Sabia que nem todas as pessoas que eu tinha chamado iriam mas, pelo menos as pessoas que eu tinha vivido grande parte da minha vida estariam la. Separei por grupos importantes:

Família (ok); Colégio (ok); Faculdade (ok); Wunderman (ok); We comunicação (ok); Quero Ser Beyonce (ok); Projeto Purpurina (ok); Igreja (   ).

Pelo que puderam perceber não foi NINGUÉM da CCB, pessoas que eu tinha como “amigos” e eu só fui perceber isso no discurso do corte do primeiro pedaço de bolo e me fez lembrar um episódio que escutei na igreja. "Quando todos te abondarem, o Senhor não te abandonará". Olhei à minha volta e minha festa estava cheia de pessoas sorrindo pra mim, me ouvindo, me dando carinho e enchendo minha festa de energias positivas, olhei pra frente e vi um grande amigo meu o Otávio e disse: 

- Mano, não tem ninguém da igreja aqui. A essa altura a festa tinha ouvido o comentário e tive que dividir com eles esse comentário, repeti em voz alta esse discurso:

Hoje é um dia muito importante da minha vida, quem recebeu o convite sabe o quanto eu queria fazer essa festa para reunir as pessoas que eu amo e me amam 100% num lugar só. E como falei a pouco, não veio nenhuma das pessoas que eu pensei que fosse meus amigos da igreja na minha festa.

E eu que sempre me preocupei com eles, hoje percebo que nossas amizade foi apenas troca de favores, tivemos momentos bons mas, olho a minha volta hoje e vejo que não estou e nunca estarei sozinho, Deus me presenteou com amigos verdadeiros.

A essa altura eu já estava em lagrimas, pela emoção de perceber que aquilo que tinha ouvido na igreja estava se cumprindo na minha frente. Não os culpo por não termos mais a amizade que eu já tive com esses que não foram, mas, não posso negar que uma amizade feita apenas de palavras não dura e sou amigo de quem faz parte da minha vida.

Depois desse episódio eu percebi que o próximo passo era me libertar desse mundo que não era mais o meu. Tive uma conversa com meus pais na mesma noite da festa, falando que estava pronto para falar com o cooperador na minha comum e esclarecer pra ele tudo que eu tinha passado e o porque eu não estava indo a igreja e como estava feliz e seguro sobre as atitudes que eu tinha tomado para minha vida.

3
ago.

Uma mensagem pra você. 

Esses dias atrás postei um vídeo questionando a origem da religião de uma forma bem agnóstica. Fiquei pensando e refletindo no conceito que tenho sobre a religião e sobre os valores que tenho hoje, que aprendi frequentando uma. Faz quase três meses que não vou a igreja para tocar meu violino, a ultima vez que eu fui ouvi uma frase que me chateou um pouco. O cooperador que estava atendendo o culto mencionou em uma de suas pregações que “o povo começou a aceitar coisas que eram até então abomináveis, homens e mulheres se sujeitando a desejos da carne e fazendo coisas que são abomnações perante Deus”. Lógico que ele sendo muito esperto, não falaria abertamente que tentava alertar sobre a “homossexualidade” sengundo sua visão. 

Quando vou a igreja não fico procurando motivos para atacar ninguem, não busco também encontrar 100% de aceitação dos mais antigos e sei que muitos ali mau sabem meu nome, quanto mais minha orientação sexual/afetiva. Lembro-me que nesse dia eu cheguei em casa com meu pai e coloquei um filme (Assim me diz a Bíblia - você pode ver parte desse filme aqui). Porque fazia menos de um mês que tinha falado para os meus pais sobre essa particularidade da minha vida e ele escutar isso poderia faze-lo ficar confuso. 

Vimos esse filme juntos - primeira vez que fiz isso com meu pai, todas as vezes que assistimos algum filme juntos tem mais gente em casa, e geralmente são filmes da tela quente, quando eu ainda esperava passar na Tv algum filme que gostaria de ver). Como naquele dia só estávamos nós dois, pudemos conversar um pouco mais sobre o que o filme quis passar e o que eu me incomodo dentro da CCB - igreja que frequento

Depois daquele dia não voltei mais a igreja até final de semana passado. Eu gosto muito da celebração da fé, da comunhão, dos hinos, da paz que tenho la dentro e da renovação que sinto quando vou a igreja e isso me faz falta. Só que realmente está ficando cada vez mais complicado ver tanta hipocrisia, a certeza de ser rejeitado pelos outros após saberem sobre minha vida é tão grande que me afastei para não sofrer. 

Enquanto os meses passavam outras coisas aconteceram. Eu participei da parada das lésbicas e fui filmado pelo SPTV, meus outros parentes que ainda não sabiam viram, e começaram a perguntar para todos que eu tinha mais contato se eu era ou nao gay. De tanto pressionarem, acabaram falando e me poupando de repetir o textos - hoje em dia para deixar de repetir as cosias eu passo o link desse blog. E foi o que uma prima minha fez, na verdade acho que ela não chegou a passar o link do blog mas, comentou dele e da ong que faço parte e todas as coisas que sempre conto quando falo sobre isso. 

Muitos tios, primos começaram a ligar pra casa para saber se estávamos bem, pelo menos uns cinco por semana - isso é raidade, porque eles não tem costume de ligar nem 5 vezes por mês. Já tinh;amos entendido que as ligações eram para buscar informações sobre minha vida, só que não tinham conragem de perguntar e não pediam para falr comigo. Eu não dei oportunidade para falar a respeito com eles, porque não aguento mais me explicar para as pessoas. Basta saber que minha vida é diferente para que coloquem suas posições sobre o assunto.

to be continue…

8
fev.
Esse blog ainda ta vivo galera!

Estou preparando um texto com trechos de uma conversa que tive com uma mãe evangéilica de um homossexual. Precisamos saber qual a visão dos nossos pais tbm, para podermos entender o que eles sentem e passam quando nos assumímos gays, quando saímos do armário.

Aguardem… 

18
jan.

O que a Família Dinossauro tem a ver com vc? 

                     

Estranho né?! Porque um blog gls falará de Família Dinossauro? Para quem não conhece contarei uma breve história dessa série que fez muito sucesso nos anos 90.

Família Dinossauro foi uma série produzida pela Disney em parceria com a Jim Henson Productions e a Michael Jacobs Productions que mostrava o cotidiano da família Da Silva Sauro, vivendo em uma sociedade dominada pelos grandes répteis, onde o cotidiano era o pretexto para inúmeras críticas e sátiras à sociedade e aos costumes da classe média.

A série foi apresentada originalmente pela rede ABC norte-americana, entre 20 de abril de 1991 a 26 de julho de 1994 e foi concebida por Michael Jacobs e Bob Young, que deu vida aos bonecos os bonecos em associação com a Touchstone Television.

fonte: http://www.infantv.com.br/familia_dinossauro.htm

Colocarei aqui um episódio muito complexo onde cada um poderá ter uma interpretação sobre o que realmente estão querendo passar. Só para lembra que aqui no Brasil essa série foi destinadas as crianças e hoje com toda a bagagem que tenho, fui perceber quantas mensagens eles estavam querendo passar.

Família Dinossauros - Carnívoro

Pense nas frases que dos personagens e veja se não tem muita ligação com tudo que passamos, seja assumir sua homossexualidade ou contrariar alguma idéia pré formatada pelos seus pais.

                         

25
out.

Crescendo 

Esse ano tem sido tão intenso e revelador que ainda me perco nele. Queria contar mais detalhes da minha vida, infância, detalhes que fariam a diferença pra entender quem eu sou hoje mas, tanta coisa acontecendo e sinto que estou perdendo o time para escreve-las.

Preciso trabalhar todos os dias a minha mente, não deixei de ser evangélico, não deixei de freqüentar a igreja, não deixei de acreditar em algumas virtudes que ela ensina. 

Você não pode mudar o mundo do dia para a noite, mas pode ensinar a si mesmo a sentir-se menos impotente num mundo complexo e, por vezes, aterrador.

Sempre que eu puder vou lembra-los que a melhor saída para o medo, é o conhecimento. A ignorância é a casa do medo. Perdi o medo de dizer o que eu era, aceitar o que eu sou, a partir do momento que pude entender o que era ser gay.

Me limpar das “gravações” inseridas na minha mente desde pequeno, que ser homossexual é um erro, é pecado, é do diabo, não vem de Deus, que todos os gays vão para o inferno, que isso é uma abominação, que tudo na vida é escolha.

Quero deixar claro que essa limpeza não veio do dia pra noite, hoje tenho 22 anos, mês que vem faço 23, estou formado, com emprego registrado na área, trabalho com o que eu gosto e tenho saúde. Mas nada disso seria tão bom se eu não tivesse parado para decidir como eu iria querer viver daqui pra frente. Continuaria me enganado ou me aceitaria como realmente sou? Mesmo que essa resposta não fosse pública, mesmo que eu não revelasse essa particularidade para meus país ou na igreja.

O que tinha que ficar claro na minha mente era que independente de quem estivesse a minha volta eu deveria fazer isso por mim mesmo. Porque se eu percebi que de outro jeito não estava bom, deveria trabalhar outro modo para que ficasse melhor.

Um outro ponto interessante é a instituição religiosa, amo o lugar que frequento, mas tive que aprender a separar as coisas. Todas as doutrinas na maioria das religiões existentes aqui no Brasil são severas nesse aspecto. Algumas muito autoritárias, isso pode interferir na auto-estima. Isso aconteceu comigo, não me valorizava, aceitava a “dor” que passava, procurava solução e não encontrava.

Uma organização autoritária pode contudo, diminuir o valor de uma pessoa em sua “forma eterna” e fomentar um foco na outra via (“o outro mundo”). Esses ensinamentos podem efetivamente encorajar a aceitação do sofrimento e da premissa básica de que todos os seres humanos nascemos maus em conseqüência do “pecado original” e que somente por meio da prática de certas doutrina religiosas que eles podem ter esperança de encontrar a paz. A redenção do mal é sempre precária e pode ser perdida a qualquer momento em que os pensamentos, sentimentos ou comportamentos se tornares menos do que sagrados.

As mensagens que esse tipo de organização religiosa promove podem incluir pensamentos como: “Eu não tenho direito ao respeito e ao amor sem pena e sofrimento” ou “Eu só serei digno de paz e perdão se alcançar à perfeição”. As religiões autoritárias usam freqüentemente ameças psicológicas, quando não abertamente físicas, para manter os seguidores sob controle, muito semelhantemente aos pais que tentam controlar os seus filhos.

Trechos retirados do livro: Auto estima para Homossexuais.

       

This year has been so intense and revealing, I still miss him. Wanted tell more about my life, childhood, details that would make difference to understand who I am today, but so much going on and I feel I’m losing time to write them.

I need to work every day to my mind, be stopped evangelical, I have not stopped attending church, not stopped believing in some virtues that she teaches.

  • You can not change the world overnight, but you can teach yourself even to feel less helpless in a complex world and sometimes terrifying.

Whenever I can I will remind them that the best way out of fear, is the knowledge. Ignorance is the house of fear. I lost my fear of saying what I was, accept what I am, from the moment I could understand what was gay.

I clean the “recordings” inserted in my mind since childhood, to be Gay is a mistake, a sin is the devil, not from God, that all gays go to hell, that’s an abomination that everything in life is choice.

Let me make clear that this operation did not come from day to night and today I have 22 years, next month I 23, I graduated with employment recorded in area, work with what I like and am healthy. But none was so good if I had not stopped to decide how I would want to live here forward. Continue deceiving me or accept me as I really am?

Even though this response was not public even if I did not reveal this particular country or for my church.

What had to be clear in my mind was that regardless of who was my turn I should do it by myself. Because if I realized that another way was not good, should work otherwise to make it better.

Another interesting point is the religious institution, I love the place attend, but had to learn to separate things. All doctrines most of the existing religions in Brazil are severe in aspect. Some very authoritarian, it can interfere with self-esteem.

This happened to me, I am not valued, accepted the “pain” that passed, sought and found no solution.

  • An authoritarian organization may, however, diminish the value of a person in its “eternal way” and foster a focus on the other route (the “other world”). These lessons can effectively encourage the acceptance of suffering and the basic premise that all humans are born in bad consequence of “original sin” and that only through the practice of certain religious doctrine that they can hope to find peace. The redemption of evil is always precarious and may be lost at any moment when the thoughts, feelings or behaviors are becoming less than sacred.
  • The messages that this type of religious organization promotes may include thoughts like “I do not have the right to respect and love without regret and suffering “or” I’ll only be worthy of forgiveness and peace to be achieved perfection. “authoritarian religions often use threats psychological, if not overtly physical, to keep the followers under control, much like parents trying to control their children.

Excerpts taken from the book: Self Esteem for Homosexuals.

2
ago.

Final de semana diferente. 

Esse final de semana foi bem átipico mas, muito bom. Convidei um amigo meu pra passar o sábado e o domingo lá em casa. O conheci no Projeto Purpurina, na primeira vez que fui la, conversei com ele e com alguns outros rapazes e me identifiquei com ele, suas idéias e postura.
Fui busca-lo na estação de metrô e fomos para casa. Minha mãe já tinha sido avisada durante a semana que um amigo meu iria passar o sábado em casa e almoçaria com agente, também já tinha avisado minha irmã para deixar o quarto liberado, porque eu iria usar o computador com ele. Bom até aí nada de diferente, almoçamos, fizemos o que tínhamos pra fazer no computador, ele me levou alguns filmes com temática LGBTTs, assistimos alguns curtas metragens e um longa.Homossexuality and the Bible

Passamos o dia todo no meu  quarto conversando, discutindo assuntos que dizem respeito as nossas vidas e temas lgbtts, percebíamos sempre uma movimentação no corredor  ou na janela, era ela, minha mãe, imagino que estava tentando escutar alguma coisa. As horas foram passando, e uma hora ela entrou no quarto meio de repente, porque antes ela batia na porta pra avisar alguma coisa, mas, daquela vez pareceu que estava querendo assustar, ver alguma coisa, e bem na hora estávamos vendo um curta metragem, não por isso, mas graças a Deus não tinha e não estava em nenhuma cena mais picante. A noite fomos para um churrasco onde apresentei meus amigos de faculdade para ele, como já estava tarde decidimos que seria melhor ele dormir la em casa.No domingo, fomos para o projeto purpurina e graças a Deus, deu tudo certo com a apresentação que tinha feito sobre o a filosofia do projeto, amanha postarei ele aqui. Conheci mais gente no projeto, por isso deixo a dica, vale muito a pena ir la. Discutimos assuntos muito importantes, o tema do mês é homofobia, e onde ela estaria inserida em nossas vidas, serviço, faculdade, escola ou mesmo dentro de nós mesmo. Como lidar com ela e como se proteger de tais agressões.Saindo de da ong, combinamos de ir no Vermont da Republica mas, como somos bem decididos - existe ironia nesse trecho que escrevi - fomos para o McDonald´s, estávamos em umas 18 pessoas mais ou menos - quase uma mini parada gay - e no meio do caminho encontro as minhas primas lésbicas. Foi tudo tão rápido e demorado que eu fiquei sem reação por um certo tempo. Eu já tinha me decidido não esconder mais nada a ninguem quando me perguntasse, ainda mais se eu estivesse com meus amigos. Parecia mais uma entrevista. Elas me enchendo de perguntas, também pudera, até então eu nunca tinha dado certezas para elas, por mais que elas poderiam desconfiar, naquele momento elas estavam tendo uma certeza.Respondi algumas perguntas, tipo “de onde você está vindo, pra onde você vai, quem são eles?”, respondi, apresentei meu amigo, disse onde estávamos e pra onde íamos e fui embora. Depois fiquei pensando se isso resultaria em alguma consequência indesejada em casa. Mas com a absorção da situação, conversando com o pessoal e com o Gersom, percebi que era apenas o destino facilitando as coisas pra mim. Liguei para minha irmã para saber o que achava disso que tinha acontecido e ela me disse “Bem feito” - como assim bem feito? – Isso mostra que de certa forma ela ainda não entendeu alguma coisa e terei que trabalhar meio que devagar com ela, cheguei em casa e conversei com ela sobre a reação negativa que a fala dela teve pra mim, e pedi para que ela assistisse o filme “Orações para Bobby”. Quem sabe ela se identifica com uma das irmãs dele.Percebi que ainda não estou preparado 100% pra enfrentar tudo e ficar tranquilo, tanto em casa quanto na rua, mas, se o destino fizer elas acontecerem eu não vou mentir mais. Se eu não aceitar o que eu sou, não estarei aceitando Deus na minha vida, pois se eu acredito que Ele seja meu criador, então não posso me sentir mal por ser do jeito que sou. Percebo em mim hoje uma evolução muito grande e rápida na minha vida, que com a ajuda de verdadeiros amigos e a ajuda de Deus, criei uma mente sadia para poder enfrentar o que aparecer.


27
jul.

Prayers for Bobby - Legendado em PORTUGUÊS 

                  

Este é um filme baseado na história verídica de um jovem homossexual, que aos 20 anos suicida-se. “Eu não posso deixar que ninguém saiba que eu não sou hétero. Isso seria tão humilhante. Meus amigos iriam me odiar, com certeza. Eles poderiam até me bater. Na minha família, já ouvi várias vezes eles falando que odeiam os gays, que Deus odeia os gays também. Isso realmente me apavora quando escuto minha família falando desse jeito, porque eles estão realmente falando de mim… Às vezes eu gostaria de desaparecer da face da Terra.” Estas palavras estão escritas no diário de Bobby Griffith, quando tinha 16 anos. A sua mãe, “Mary Griffith”, interpretada por Sigourney Weaver, a senhora dos ELIEN, sabedora da sexualidade do filho acredita”curar” o filho com base na religião e terapias, para quatro anos depois (1979) Bobby lançar-se de uma ponte. Um filme intenso, dramático, e que espelha ainda hoje a realidade de muitas e muitos jovens no mundo! Mary após a morte do filho questiona-se a si e ao fundamentalismo religioso, redime-se da sua posição homofobica tornando-se uma defensora dos direitos GLBT.

Para ver o filme direto do site que eu entre no link: http://migre.me/10cFS

             

16
jul.

Menos de um mês para contar 

Essa semana passei pouco por aqui, tive uma semana realmente corrida.

Estou me preparando para o dia que contarei para minha família. Conversando com um várias pessoas a respeito desse assunto, tive opiniões diversas, alguns me diziam para manter essa double life, outros pedindo para eu abdicar desse sentimento “de ser gay” - como se isso fosse possível - e alguns pedindo para que eu contasse mesmo.

Não tenho motivos maiores para contar, no momento não estou em nenhum relacionamento - Geralmente acontecem algumas pressões por parte do parceiro, para contar para família e deixar de se esconder, como eu acredito ter acontecido com o Rick Martin. A única e principal razão querer falar é me manter na verdade com meus pais e tentar me aproximar deles através disso.

De certa forma é uma pouco ousado o que estou fazendo, uma vez que tenho todas as provas de que meus pais realmente não aceitarão minha homossexualidade mas, o que eu quero com isso é não ter que mentir. Dizer onde eu realmente estava, com quem eu ando, apresentar meus amigos e que eles vejam que não é ruim ter um filho gay.

Vou escrever mais sobre esse tema amanhã, baseado num livro que estou lendo. 

11
jul.

Você já teve vontade de sumir? 

Não quero transformar esse blog num diário, quero de forma evolutiva contar tudo o que aconteceu ou acontece na minha vida, pra que vocês que estão lendo possam se identificar com alguma coisa da minha história. Só que se eu esperar pra contar algumas coisas mais pra frente não farão sentido. 

                   

Você já teve vontade de sumir?

Eu quero, eu preciso e é estranho pensar assim porque tenho uma família que me ama, amigos maravilhosos, um emprego que gosto muito, tenho saúde. Então porque eu quero sumir, desaparecer?

Para fugir dos “problemas”, de tudo que um dia terei que enfrentar. Está cada vez mais difícil suportar essas pressões psicológicas e espirituais. Vou relatar o que aconteceu comigo esse final de semana.

Começo ele pensando que realmente não iria postar nada nesse blog, porque iria me ocupar com os trabalhos que me voluntariei a fazer para o Projeto Purpurina, que por falar nele, está ficando muito legal, muito mesmo. Isso de certa forma fez com que eu ocupasse parte da minha mente. Em um momento procurei referencias de blogs encontro um que está escrito assim: “Se você usa drogas, é alcoólatra, tem vícios ou é homossexual, isso é coisa do diabo, Deus tem um plano na sua vida”. Porque ligar a sexualidade de uma pessoa com uma frase cheia de conotações negativas? O que dá pra entender nessa frase é que assim como todas as outras coisas a homossexualidade é um vicio um mau que deve ser combatido. Porque o ser – humano acredita tanto nisso, sem fundamento nenhum?!

Bom sei que não devo me abater por essas expressões de pessoas ignorantes, nem quero demonstrar ser uma pessoa tão frágil ao ponto de me abalar por algo tão “pequeno”, mas, quantas vezes tenho que escutar isso e ficar calado, quantas vezes terei que suportar ouvir alguns absurdos e me manter calado?

Como vocês sabem eu freqüento uma igreja evangélica, adoro aquele lugar, não troco por nada uma noite de paz lá dentro, por 100 de baladas aqui fora. Realmente estar dentro de um lugar com o único objetivo de sentir Deus, focar seu pensamento nas coisas que diz respeito a sua alma, não tem preço e nada que substitui. Só que mais uma vez saio de lá um pouco confuso, não sei se o Deus que algumas vezes ouço falar na boca dos que presidem os cultos é o mesmo que fala dentro do meu coração e que converso em minhas orações.

Escuto muita coisa que incitam a submissão sem questionamentos, aceitar uma “vontade de deus” que fará eu sofrer, todas as vezes que ouço uma pregação dessas me da calafrios, porque eu já sofri muito por pensar assim e hoje estou trabalhando para tirar esse conceito da minha mente. Gente só Deus sabe os problemas de saúde que já tive por reprimir meus sentimentos, por negar a minha essência, por esconder por anos tudo o que eu passava. Quando ouço essas pregações eu não consigo concordar e me vejo fora da tal comunhão que eu acho tão lindo na igreja e saio pior do que entrei.

O ser humano ainda não percebeu com o que está lidando, brincam com os sentimentos das pessoas, mexem sem a menor piedade, dentro de mim lá no fundo, algumas vezes eu ainda penso em desistir de tudo, de todas as evoluções que alcancei até agora e voltar ao mundinho que vivia, fingindo ser o que não sou pensar só nas coisas da igreja, porque a única solução pra quem é gay dentro da igreja é o celibato e a “santificação”. Não sou tão frio pra conseguir fazer isso.

Queria tanto que meus pais soubessem e nessas horas de confusão de sentimentos, esse medo, essa falta de estrutura emocional, pudesse me ajudar, me escutar, dizer que me amam e não importa a minha condição sexual e sim que eu seja uma pessoa de bem. 

Estou percebendo que o dia “D” vai chegar, sempre soube que não passaria desse ano, mas pelo que estou sentindo tenho dúvidas se passará desse mês. Eu sinto que devo falar com meus pais, mas na verdade ainda não sei no que isso me ajudaria, se realmente seria algo bom pra meu emocional e se estaria preparado para as conseqüências.

    

5
jul.

Projeto Purpurina 

Esse final de semana tive a grande oportunidade de conhecer um projeto que com certeza é um dos mais bonitos e humanos que eu já vi, o Projeto Purpurina: “O Projeto Purpurina (PP) é um projeto multicultural pensado pelo GPH – Grupo de Pais de Homossexuais, de iniciativa dele e patrocinado por ele.

No entanto, o Projeto Purpurina vem sendo realizado por jovens coordenadores, com o apoio dos pais do GPH. Nos encontros mensais do Projeto Purpurina, pratica-se o “protagonismo juvenil”, isto é, os próprios jovens escolhem os assuntos de seu interesse e coordenam a reunião, monitorados por especialistas. De modo geral, o objetivo é trabalhar em profundidade a elevação da auto-estima do jovem GLBTTT, desenvolvendo todos os assuntos considerados importantes para isso, entre os quais a aproximação dos jovens aos seus pais e familiares. 

O Projeto Purpurina é o único projeto de iniciativa de pais heterossexuais para jovens gays, do Brasil.”

Nessa minha busca por respostas para tudo que eu passo, através de livros, documentários, profissionais (psicólogos e psiquiatras) e amigos, fiquei sabendo de uma matéria muito interessante que rolou no Profissão Reporte do dia 11 de maio:

Não consegui ver no dia que foi ao ar essa reportagem na TV, no outro dia no serviço, tive um tempo livre para procurar sobre o assunto na internet, para minha surpresa, um grande amigo meu que sabe que sou gay, me mandou um email com os links dos vídeos, e pude ver tudo. Ele escreveu assim no e-mail, “Veja esse vídeo, espero que ele te ajude!”

Me chamou muita atenção uma das reportagens que falava desse grupo de ajuda com iniciativas de jovens homossexuais, olhei aquele lugar como uma nova forma de esperança para minha vida. A praticamente um ano atrás todas as terças-feiras a noite eu estava dentro de um consultório, conversando com minha psicóloga, tentando de alguma forma ser heterossexual.

Na época eu não tinha me aceitado, eu ainda pensava que meus sentimentos eram demoníacos, que eram promíscuos ou que eu sofria de algum distúrbio mental. Com o tempo percebi que sempre levantavas as mesmas questões, o motivo de eu ir la não mudava e eu naquele momento não estava preparado para mudanças. Ter ido procurar uma pessoa que se formou para entender o comportamento humano e saber a posição dela a respeito de qualquer assunto ligado a vida é muito bom. No começo eu pensava que eu era a pessoa mais sozinha do mundo, porque eu tinha que pagar para alguém me ouvir, diferente de você ter amigos que te ouçam. No meu caso eu tive amigos para conversar a respeito e por causa da reação deles, preferi procurar outra pessoa para conversar.

As questões que eu sempre levantava eram, “Porque eu não consigo sentir atração por mulheres? O que eu podia fazer pra ser ‘homem’? Eu iria pro inferno por ser assim?” Ao mesmo tempo que procurava respostas, eu ainda não estava preparado para as respostas, por isso depois de nove sessões deixei de ir, apesar de ter me ajudado muito e é provável que eu volte esse ano.

Voltando ao Projeto Purpurina, estive la e pude comprovar a seriedade do projeto e como esse blog é dedicado exclusivamente a esse assunto na minha vida, não poderia de comentar sobre ele. Foi um pouco complicado de achar o lugar - vou facilitar pra vocês deixando o mapinha do lugar: Exibir mapa ampliadoChegando la, conheci várias pessoas com o mesmo histórico que o meu, com histórias bem diferentes, difíceis ou não, mas com um único objetivo encontrar respostas e ajudar ao próximo com as suas experiências de vida.

Esse é o único vídeo que eu encontrei no youtube mostrando a filosofia do projeto:

Gostei tanto do projeto que ofereci meus serviços como designer para produzir o vídeo para o próximo mês e com certeza colocarei aqui no blog.

É como pessoas como Edith Modesto, que faremos desse mundo um lugar melhor, a iniciativa que ela teve de fazer esse o o GPH, de acolher os jovens gays e perceber que só com o amor a compreensão e o respeito conseguiremos ser humanos mais perfeitos. Tive a oportunidade de cumprimentá-la, ela me deu um beijo no rosto com um amor de vó, sabe?! Tão carinhoso, tão respeitoso que só por esse ato eu quis ficar até o final, depois que vi tudo o que ela tinha como objetivo, os discursos dos outros jovens, as brincadeiras, a interação, a festinha que rola no final, senti que eu deveria voltar e aprender mais. Conversei com a Edith antes de ir embora e pude resumir meu “sofrimento familiar”, disse que eu era de uma casa evangélica e tudo mais que já comentei aqui, ela me disse muitas coisas, inclusive o caso de uma mãe que ela está atendendo, que tem muita dificuldade de aceitar que o filho é gay, porque na cultura cristã se uma pessoa é ela irá pro inferno. Complicado para uma pessoa que viveu a vida toda ouvindo isso, tendo isso como verdade, contrariar tudo que aprendeu pelo filho ou por amor ao filho. Por mais que ame, é uma situação muito complicada.

Tenho certeza que minha mãe teria ou terá a mesma reação, só ao contrario dessa mãe, eu duvido muito que ela iria procurar ajuda no GPH, talvez ela entrasse até em depressão, pelo histórico que ela já tem e esses é um dos fortes motivos para eu viver essa doublelife.