9
Maio

E quando um garoto de apenas 12 anos consegue calar a sua boca e te faz prestar atenção em um vídeo sem edições e totalmente sincero.

Me choca ver um garoto de 12 anos tendo muito mais cabeça que muitos adultos atualmente. Consegui sentir a angustia dele na minha pele, do outro lado de uma tela de computador. 

Quer saber de uma coisa. Compartilhem muito isso aqui.

http://www.youtube.com/user/theochen9

24
Maio

 Do lado de fora do armário não sufoca.

No dia 06/05/2012 foi um dia muito especial pra mim, foi comemorado o dia das mães na ong Projeto Purpurina, que eu faço parte a quase 3 anos. E pela primeira vez consegui levar parte da minha família para essa festa. 

Nesse dia pais e filhos contam para as pessoas presente como foi a experiencia e a superação que tiveram quando souberam da sexualidade do filho ou filha. Como muitas pessoas ali presentes acompanham esse blog já sabem de cor o meu lado da história que você pode ler clicando aqui.

     Mãe, Léo e eu.

Me segurei muito nesse dia pois além de ter o depoimento emocionado das pessoas que mais amo no mundo, tive a surpresa de naquele dia estar presente a Regina uma grande amigona, que me ajudou muito no começo da minha aceitação. Essa mulher foi muito especial pra mim, ela faz parte do GPH e apareceu tbm nesse blog em alguns posts. Quando ainda não entendia muita coisa que passava comigo e nem de que forma contar para os meus pais o que estava acontecendo comigo, ela com a experiencia que teve dentro de casa com o filho dela, pode me orientar.

Regina foi um grande anjo na minha vida, ela a pedido da Edith Modesto, foi minha conselheira, a escolha dessa grande mulher não foi por acaso, como todos sabiam que fazia parte de uma igreja evangélica, a Edith escolheu a dedo qual das mães do GPH teria mais cuidado em me aconselhar, a Regina é da mesma igreja que eu frequentei e que minha mãe frequenta até hoje. Foi muito importante as conversas que ela também teve com a minha mãe. Só um detalhe que ainda não mencionei é que nunca havíamos nos vistos pessoalmente, tentamos por diversas vezes mas nesses três anos, nunca conseguimos. Foi muito especial conhece-la e saber o quanto eu consegui evoluir desde então.

  eu

Sim é isso ae, o único conselho que tenho para esse post é que olhando para trás não me arrependo do modo que conduzi minha vida, as escolhas que fiz - não da sexualidade porque ela não é uma escolha - mas de que forma tocar as coisas para que elas se resolvessem da melhor forma possível.

Se algumas pessoas que tem acesso a esse blog percebessem que o que te faz especial não é a sua sexualidade e sim seu caráter, suas atitudes, sua honestidade, respeito e todas as outras boas qualidades que um Ser Humano deve e pode ter. Hoje estou tão distantes das coisas que me amedrontavam que não importa quem ou o que falem a respeito da minha condição sexual, já não tem força na minha vida.

A lição maior que consigo disso tudo é essa:

O amor vence! 

Vence o preconceito, o medo, a ignorância, a religião, a homofobia e a violência.



Preste atenção na letra dessa música…

17
Maio

Me assumindo para os meus pais; Milagres e Dia nacional contra a homofobia 

Já deixo avisado que esse será um post ENORME… tentarei resumir ao maximo mas, esse era o post que esperava fazer a anos… 

Quero muito que todos voces digam o que acharam de tudo que aconteceu.

Uma nova história começa a ser escrita agora.

Me assumindo para os meus pais.

Na noite de domingo dia 15/05/2011 contei para os meus pais q #eusougay. - Todos vocês já sabem que sou de família evangélica e meus pais tem toda a base de vida deles construida dentro da igreja, desde pratimamente o nascimento deles, o namoro, casamento, filhos e todas as outras decisões que eles fizeram e fazem ao longo da vida, pegam conselhos e direcionamento dentro da igreja.

Faz quase um ano que mudei de casa, antes moravamos de aluguel na mesma rua em que minha avó reside, e antes disso morávamos numa casa no quintal dela. E todos esses fatores me impediam de olhar para mim mesmo e me aceitar. Precisei de muita força para construir e enxergar a minha prórpia realidade.  Durante anos eu procurei seguir regras até mesmo da igreja para tentar me enquadrar no perfil de um bom cristão e bom filho e quem sabe um dai conquistar com todo um lugarzinho no céu. Só que eu sempre fui exeção a regras, nunca me senti confortável e bem dentro dos dogmas e leis que me impunham. - leis que diziam que home deve casar e se relacionar com uma mulher.

Foi quando comecei a sofrer, acredito que a partir dos 7 ou 8 anos de idade eu já tinha esse pensamento. Mas o medo de me perder nesse mundo - tão sujo e baixo, que as vezes encontramos - era maior, e eu não me sentia preparado pra ter que enfrentá-lo e tbm ter q encarar o julgamento da igreja. Mais tarde fui e me batizei na igreja, acreditei que de alguma forma seria liberto. Não fui. Depois de muitos ANOS eu fui entender que ser gay não é errado nem deveria ser pedido algum tipo de cura.

Pedi muito pra Deus que quando eu fosse me assumir gay, eu tivesse ao meu lado pessoas do bem, pessoas com quem eu pudesse dividir meus momentos, e que fossem antes de tudo humanos - pq sabemos e conhecemos muitos que vivem uma vida superficial e vazia - e não era isso que eu queria pra minha vida. Fui aconselhado a ler muito, entender primeiro o que eu sou e depois tentar entender o porque tem tanta gente que não gosta da gente. Não gostam por falta de conhecimento.

Domingo tive um dia um pouco diferente, conheici gente nova e depois fui para a paulista jantar com um grande amigo meu. Quando estava voltando pra casa por volta das 10hs da noite minha mãe me ligou, falando que não estava gostando que eu estava saindo muito de casa - e realmente estava, saia quase todos os finais de semana mas, fiz isso para chamar a atenção dele, porque percebia que eles viam que tinha mudado e não me chamavam para conversar.


A noite, chegando em casa eu contei tudo, desde qdo me entendi e percebi q não gostava de mulheres. Bom a reação deles foi até melhor q eu esperava - pensei q de imediato seria mandado pra fora de casa - mas, até q demorou um pouco, questão de uma hora e meia de conversa depois eu fui convidado a me retirar de casa, caso viesse a “escolher esse tipo de vida pra viver” e de verdade, existe algum outro jeito pra eu viver?

Bom  depois q falei pros meus pais, eles choraram a noite inteira, e decidiram que iriam fazer de tudo para que eu receba um milagre de Deus e eu deixe de ser gay ( :o ) Como essa história acaba?

Vocês já assistiram Prayers for Bobby… imaginem essa família… então, é a minha… só que sem o irmão chato… Porque dentro de casa, ainda tenho a ajuda da minha irmã.

Ontem segunda feira dia 16/05/2011


Nossa aconteceu mesmo um MILAGRE

Talvez não do jeito que meus pais esperavam mas, com certeza foi do jeito que Deus quiz. Contei para algumas pessoas o que me aconteceu no domingo. Eu estava muito preocupado com meus pais e comigo tbm pois não estava me senrtindo totalmente preparado para enfretar a barra que eu imaginava passar em casa. 

Pois os planos dos meus pais eram que eu fosse com eles todos os dias pra igreja, orações em busca de um milagre, pensando que eu pudesse me tornar hetero. Fiquei muito preocupado e conversei com alguns amigos, justamente por saber que não iria aguentar essa situação por muito tempo. Já comecei a ver o qto tinha economizado para poder alugar uma casa. Passei até um pouco mal durante o dia mas, confiei que de alguma forma conseguiria faze-los entenderem que eu nasci assim.

Antes de sair de casa para ir trabalhar eu pedi para minha irmã assistir o filme (Prayer for Bobby) faz tempo q pedi para ela ver esse filme mas, só ontem ela aceitou, pq eu disse que se ninguem me ajudasse talvez meus pais poderiam ter a mesma atitude que os pais do Bobby. E ela assitiu.

No final da tarde ela tbm conversou bastante com eles, tentou colocar na mente deles que não fiz escolha nenhuma, que eu nasci assim. Que não eram p eles agirem do jeito que estavam agindo, pq eles tbm já tinham percebido que eu era diferente. Ela ainda falou que se por acaso eu fosse embora por conta disso, ela iria tbm.

A noite tinhámos combinado de ir a igreja, pq meu pai queria muito pra tentar ter uma resposta. Apesar de confiar em Deus meu pais sentem a necessidade de ir a igreja pra procurar respostas, mas prefiro acreditar que Ele está tbm dentro den nós e nos dá sabedoria e inteligencia para poder resolver os nosso obstácolos. Ontem eu tive muito serviço aqui na agência e não consegui sair mais cedo. Equanto estava aqui, minha irmã passava o filme pra eles. No começo meu pai relutou pra ver mas, depois viu… só ficaram meu pai e minha mãe no quarto. Qdo o filme acabou, segundo minha irmã meu pai foi pro banheiro enxugar as lagrimas e minha mãe ficou pensativa.

Depois q o filme acabou minha irmã me ligou, falando q tinha passado o filme pra eles e que meu pai iria me buscar assim, que eu chegasse no ponto de onibus. Pensei - Pronto, agora comecou a perseguição, vai ficar monitorando e controlando meus passos.- Estava com medo de viver uma prisão dentro de casa. - Ainda tinha o olhar de medo deles registrado dentro do meu coração.

Quando entrei em casa, fui preparar minha janta e meu pai foi até a cozinha e falou: "Somos uma família, vamos enfrentar tudo isso juntos e unidos. Não vou te colocar pra fora de casa, vc é meu filho." Nisso minha mãe tbm entra na cozinha e diz: "Estamos aprendendo, não sabemos lidar com essa situação".

Foi qdo falei pra eles que tinha feito amizade com uma pessoa que tbm era da igreja e tinha um filho gay e aprendeu a lidar numa boa, com a ajuda do (GPH). Falei da Edith, do Projeto Purpurina, do blog que eu tenho, assim, tudo por alto. Falei quantos jovens vão la na ong justamente por causa das famílias que não as aceitam.

E depois disso dei um presente pra eles. Um livro que ja tinha comprado a algum tempo e que tbm já tinha lido, chama-se (Papai, mamãe, sou gay) onde, tem vários esclarecimentos, inclusive biblicos para sexualidade humana, melhor dizendo para homossexualidade. Eles leram alguns trechos que deixo sempre grifados quando leio livros.

Depois disso, dei um abraço apertado neles e disse q iriamos superar tudo e que eu não mudei, sou o mesmo. Agora eles só sabem de um detalhe da minha vida mas, que pra mim era muito importante que eles soubessem.

Hoje de manha escrevi uma carta para meu pai, dizendo o quanto tenho orgulho dele, por passar por cima dos proprios medos e preconceitos e que ontem eu vi nos olhos dele o qto ele me ama. Disse que sei que daqui pra frente terá q contruir uma nova verdade dentro dele e que se por acaso ele tiver duvidas, ficar confuso, que pode contar comigo pra ajudar ele a não se perder.

Realmente um milagre aconteceu… e nada melhor q ele ter acontecido e eu estar desfrutando hoje esse alívo.

Hoje que é o dia nacional do combate a homofobia. Estou me sentindo tão leve, tão realizado e tenho que agradecer muito a todas as pessoas que sempre estiveram do meu lado me apoiando em tudo.

21
mar.

Eles são assim

Documentário super interessante, contado como funciona o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais) e o Projeto Purpurina na qual eu tenho muito orgulho de fazer parte.

Ainda na infância eles se sentiam diferentes. Durante anos uma briga interna tomou conta destes jovens, até eles se darem conta de que eram homossexuais. Começava uma nova fase. Era preciso contar a verdade, mas como seus pais reagiriam? E a família,os amigos e a sociedade? Seria justo continuar escondendo a sua orientação sexual? 

Você também conhecerá o ponto de vista de pais de homossexuais, o que sentiram quando seus filhos se revelaram e como enfrentaram esta situação. Graças aos projetos GPH e Purpurina, pais e filhos são orientados a superar esta realidade. 

Neste documentário a homossexualidade será mostrada de uma forma pouco explorada para que você possa compreender que Eles São Assim.

Aconselho a todos que queiram respostas, ajuda, encontrar amigos e se sentir inserido num grupo onde vc possa ser igual aos demais, assistir pelo menos um encontro do Projeto Purpurina.

As reuniões acontecem todo primeiro domingo do mês. Caso queiram saber mais, mandem mensagem, anônimas se preferirem aqui no tumblr. O twitter do projeto é esse -> @ProjetoPurps

5
jul.

Projeto Purpurina 

Esse final de semana tive a grande oportunidade de conhecer um projeto que com certeza é um dos mais bonitos e humanos que eu já vi, o Projeto Purpurina: “O Projeto Purpurina (PP) é um projeto multicultural pensado pelo GPH – Grupo de Pais de Homossexuais, de iniciativa dele e patrocinado por ele.

No entanto, o Projeto Purpurina vem sendo realizado por jovens coordenadores, com o apoio dos pais do GPH. Nos encontros mensais do Projeto Purpurina, pratica-se o “protagonismo juvenil”, isto é, os próprios jovens escolhem os assuntos de seu interesse e coordenam a reunião, monitorados por especialistas. De modo geral, o objetivo é trabalhar em profundidade a elevação da auto-estima do jovem GLBTTT, desenvolvendo todos os assuntos considerados importantes para isso, entre os quais a aproximação dos jovens aos seus pais e familiares. 

O Projeto Purpurina é o único projeto de iniciativa de pais heterossexuais para jovens gays, do Brasil.”

Nessa minha busca por respostas para tudo que eu passo, através de livros, documentários, profissionais (psicólogos e psiquiatras) e amigos, fiquei sabendo de uma matéria muito interessante que rolou no Profissão Reporte do dia 11 de maio:

Não consegui ver no dia que foi ao ar essa reportagem na TV, no outro dia no serviço, tive um tempo livre para procurar sobre o assunto na internet, para minha surpresa, um grande amigo meu que sabe que sou gay, me mandou um email com os links dos vídeos, e pude ver tudo. Ele escreveu assim no e-mail, “Veja esse vídeo, espero que ele te ajude!”

Me chamou muita atenção uma das reportagens que falava desse grupo de ajuda com iniciativas de jovens homossexuais, olhei aquele lugar como uma nova forma de esperança para minha vida. A praticamente um ano atrás todas as terças-feiras a noite eu estava dentro de um consultório, conversando com minha psicóloga, tentando de alguma forma ser heterossexual.

Na época eu não tinha me aceitado, eu ainda pensava que meus sentimentos eram demoníacos, que eram promíscuos ou que eu sofria de algum distúrbio mental. Com o tempo percebi que sempre levantavas as mesmas questões, o motivo de eu ir la não mudava e eu naquele momento não estava preparado para mudanças. Ter ido procurar uma pessoa que se formou para entender o comportamento humano e saber a posição dela a respeito de qualquer assunto ligado a vida é muito bom. No começo eu pensava que eu era a pessoa mais sozinha do mundo, porque eu tinha que pagar para alguém me ouvir, diferente de você ter amigos que te ouçam. No meu caso eu tive amigos para conversar a respeito e por causa da reação deles, preferi procurar outra pessoa para conversar.

As questões que eu sempre levantava eram, “Porque eu não consigo sentir atração por mulheres? O que eu podia fazer pra ser ‘homem’? Eu iria pro inferno por ser assim?” Ao mesmo tempo que procurava respostas, eu ainda não estava preparado para as respostas, por isso depois de nove sessões deixei de ir, apesar de ter me ajudado muito e é provável que eu volte esse ano.

Voltando ao Projeto Purpurina, estive la e pude comprovar a seriedade do projeto e como esse blog é dedicado exclusivamente a esse assunto na minha vida, não poderia de comentar sobre ele. Foi um pouco complicado de achar o lugar - vou facilitar pra vocês deixando o mapinha do lugar: Exibir mapa ampliadoChegando la, conheci várias pessoas com o mesmo histórico que o meu, com histórias bem diferentes, difíceis ou não, mas com um único objetivo encontrar respostas e ajudar ao próximo com as suas experiências de vida.

Esse é o único vídeo que eu encontrei no youtube mostrando a filosofia do projeto:

Gostei tanto do projeto que ofereci meus serviços como designer para produzir o vídeo para o próximo mês e com certeza colocarei aqui no blog.

É como pessoas como Edith Modesto, que faremos desse mundo um lugar melhor, a iniciativa que ela teve de fazer esse o o GPH, de acolher os jovens gays e perceber que só com o amor a compreensão e o respeito conseguiremos ser humanos mais perfeitos. Tive a oportunidade de cumprimentá-la, ela me deu um beijo no rosto com um amor de vó, sabe?! Tão carinhoso, tão respeitoso que só por esse ato eu quis ficar até o final, depois que vi tudo o que ela tinha como objetivo, os discursos dos outros jovens, as brincadeiras, a interação, a festinha que rola no final, senti que eu deveria voltar e aprender mais. Conversei com a Edith antes de ir embora e pude resumir meu “sofrimento familiar”, disse que eu era de uma casa evangélica e tudo mais que já comentei aqui, ela me disse muitas coisas, inclusive o caso de uma mãe que ela está atendendo, que tem muita dificuldade de aceitar que o filho é gay, porque na cultura cristã se uma pessoa é ela irá pro inferno. Complicado para uma pessoa que viveu a vida toda ouvindo isso, tendo isso como verdade, contrariar tudo que aprendeu pelo filho ou por amor ao filho. Por mais que ame, é uma situação muito complicada.

Tenho certeza que minha mãe teria ou terá a mesma reação, só ao contrario dessa mãe, eu duvido muito que ela iria procurar ajuda no GPH, talvez ela entrasse até em depressão, pelo histórico que ela já tem e esses é um dos fortes motivos para eu viver essa doublelife.